sexta-feira, 14 de setembro de 2018

RELATÓRIO 7 - II° ENCONTRO ACADÊMICO-COMUNITÁRIO DA UNITINERANTE: "SABERES GEOCOLÓGICOS TRADICIONAIS E DIVERSIDADE SOCIOTERRITORIAL"


O II Encontro Acadêmico-comunitário da Unitinerante[.1] [1] e XI Encontro Temático da Rede CASLA-CEPIAL[2] que ocorreu do dia 17 a 26 de agosto de 2018, teve como eixo-disciplinar[3] proposto pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia-UEPG os "Saberes Geoecológicos Tradicionais e Diversidade Socioterritorial". Em nove dias discentes (Graduação e Pós-Graduação), docentes e comunitários percorreram três municípios paranaenses, dois deles localizados no centro-leste na região dos Campos Gerais, sendo Ponta Grossa e Campo Largo, e, no litoral, Pontal do Paraná (Figura 01). Estes contemplaram o itinerário do evento por conter em suas áreas rurais comunidades tradicionais, respectivamente, Faxinal (Sete Saltos de Baixo), Quilombo (Palmital dos Pretos) e Caiçara (Guaraguaçu).


Figura 1 – Recorte espacial do itinerário do evento nas comunidades tradicionais paranaenses. Org.: Pereira, 2018.
Tais grupos étnicos são recorte espacial do projeto de pesquisa “Territorialidades Tradicionais às Territorializações da Agroecologia: Saberes, Práticas e Políticas de Natureza em Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná (Chamada Universal MCTI/CNPq nº 01/2016) e do projeto de extensão “Selo Socioambiental Produtos da Agrofloresta Faxinalense: Capacitação Sociotécnica e Empoderamento Jurídico para a Inclusão Social e Geração de Renda de Populações Tradicionais do Paraná” (SETI-PR/2018). 

Tanto o projeto de pesquisa, quanto o de extensão são coordenados pelo Prof. Dr. Nicolas Floriani do Programa de Pós-Graduação em Geografia-UEPG, efetivado pelo Grupo de pesquisa – “Interconexões/UEPG”, tendo ainda como integrantes: Tanize Tomasi Alves (Pós-doutoranda), Antônio Márcio Haliski (Pós-doutorando), Cleusi Teresinha Bobato Stadler (Doutoranda), Renato Pereira (Doutorando), Vanderlei Marinheski (Doutorando) e Brenda Olinek (Graduanda em Biologia). E dentro do projeto de extensão a técnica Ronir Fátima Rodrigues. 
De forma alternativa, e, até desafiadora aos padrões acadêmicos, pela segunda vez ofertou-se a disciplina-evento nas comunidades, com a prerrogativa de nesta edição ter sido acrescido as três diferentes realidades. Uma parceria firmada pela UEPG, através do docente do departamento de Geociências, Prof. Dr. Nicolas, com a Casla-Rede-Cepial. A inserção à campo possibilitou a integração dos discentes e docentes ao ambiente cotidiano dos sujeitos das pesquisas e atividades extensionistas. Além de facilitar a participação dos sujeitos locais, e, mais do que isso ter o protagonismo dos mesmos durante o evento em que foram temática. Portanto, a programação do evento foi estruturada de forma que contemplasse as discussões acadêmico-teóricas e problemáticas/demandas comunitárias. Assim como a inclusão de atividades e práticas culturais contemplativas e valorativas dos saberes tradicionais.
Com a metodologia da observação-participante (GOFFMAN, 2012)[4], em que os pesquisadores adequam-se à captura das informações conforme o seu olhar, interagindo através do contato face a face no momento da realização das atividades, tem-se o aprofundamento e a aproximação dos sujeitos pesquisadores e estudantes com os sujeitos de suas pesquisas e estudos. Uma interação potencial ao diálogo mais eficaz e direcionado às problemáticas locais, uma vez que os sujeitos que de fato vivenciam as realidades podem expor outras perspectivas e argumentos sobre as mesmas.
Também adota-se conforme Pereira (2018) o procedimento metodológico da pesquisa-ação. Esta de acordo com Thiollent (1985, p. 14)[5] é:
[...] Um tipo de pesquisa social que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação da realidade a ser investigada estão envolvidos de modo cooperativo e participativo.
Coloca-se esta metodologia, pois as práticas e atividades dos projetos de pesquisa e extensão que perpassaram o evento, visam mais do que o levantamento de informações, mas a reestruturação e melhoramento dos sistemas produtivos; valorização da produção; organização e ampliação da comercialização dos excedentes. Durante o evento algumas práticas foram direcionadas para estes fins.
Para Pereira (2018) tanto a justificativa do projeto, quanto à abordagem agroecológica a partir dos sujeitos das comunidades tradicionais no evento, encontra ressonância em Altieri (1998)[6], quando ressalta que o enfoque da agroecologia deve ser ao agricultor que possui menor acesso aos insumos tecnológicos e poucas relações com o mercado, como uma estratégia para o desenvolvimento rural sustentável.
Este relatório constituiu-se por trechos dos relatórios de campo dos alunos do Programa de Pós-Graduação em Geografia-UEPG[7], Fábio Martins, Cleusi Bobato Stadler e Renato Pereira, que experenciaram a prática de campo, nestes ambientes distintos.
A seguir Stadler (2018) nos expõem que a abertura do evento no Faxinal de Sete Saltos de Baixo, no dia 18 de agosto de 2018, com a ressalva de um percentual baixo de participantes acadêmico-comunitário inferiu na alternância da metodologia das “oficinas participativas” – moradores das comunidades, discentes e docentes –, com a inclusão da fala expositiva-ilustrativa.
Na exposição teórico-prática teve-se no Faxinal Sete Saltos de Baixo a abordagem de três temáticas: “Etnopedologia e Manejo da Fertilidade dos Solos (Vanderlei Marinheski – Doutorado/UEPG)”, “Agrobiodiversidade – “Sementes Crioulas” e Práticas Culturais dos Faxinalenses e Quilombolas (Cleusi Bobato Stadler-Doutorado/UEPG)” – destaca-se a exposição do banco de sementes[8] -, e Agrobiodiversidade e Sistema Agroflorestal (Margit Hauer-IAP)” (Fotos 01 e 02). Também fez-se uma exposição de fotos dos sujeitos da pesquisa, registros estes realizados por uma das integrantes do Grupo Interconexões-UEPG durante os trabalhos de imersão à campo (TOMASI, 2018). E uma apresentação sobre o projeto do selo faxinalense, com destaque para alguns resultados e homenagem póstuma a um líder faxinalense de uma comunidade vizinha (GONÇALVES, 2018).




Fotos 01 e 02 – Oficinas Teórico-práticas na Comunidade Faxinalense Sete Saltos de Baixo-Ponta Grossa/PR. Fonte: Tomasi, 2018.


Todavia, segundo Stadler (2018) destaca-se durante as Oficinas as práticas culturais. Em uma delas a faxinalense Srª Jesuvina Chagas Ferreira, de 69 anos, moradora do local há mais de 25 anos, demonstra a tradição de socar a erva-mate no pilão, uma atividade que realiza todos os anos em sua propriedade (Foto 03). Ela corta a erva-mate, seca no forno de barro e soca no pilão, de modo artesanal e tradicional. E a prática da “Paçoca de carne” no pilão, apresentada pela família Chagas, onde se coloca a carne de porco salgada junto a farinha de milho e vai socando até formar a paçoca (Foto 04).


Fotos 03 e 04 – Práticas tradicionais executadas por faxinalenses na Comunidade Sete Saltos de Baixo – Ponta Grossa/PR. Fonte: Tomasi, 2018.

Stadler (2018) evidencia a exposição de produtos faxinalenses para comercialização com os participantes do evento. Destaca-se entre a produção: a erva-mate, o mel e artesanatos de taquara e fibras. Apresentações artísticas musicais com sanfona, violão e sino foram realizadas pelos faxinalenses e quilombolas.

De acordo com Pereira (2018) no segundo dia de evento, 19 de agosto de 2018, vivenciou-se a atividade de visita à propriedade familiar agrícola dos Marques – localizada na comunidade rural de Sete Saltos de Cima (Ponta Grossa-PR) –, o almoço comunitário e a etnocaminhada na Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos.

Na primeira atividade, observa-se os resultados dos primeiros anos de transposição de uma agricultura convencional para os moldes teórico-práticos da agroecologia. Teve-se in loco a fala e demonstração de alguns termos e técnicas de manejo do sistema produtivo agroecológico pelo estudante de Tecnologia em Agroecologia do IFPR, Leandro Miguel Schepiura. Nesta ocasião além da caminhada pelo agroecossistema, identifica-se a agrobiodiversidade existente, diante do histórico da mesma e o pouco tempo de inserção às novas práticas agrícolas (Fotos 05). Também pode-se acompanhar a poda de bananeira, observar a troca de sementes crioulas entre os sujeitos comunitários e a coleta de exemplares por integrante do Grupo Interconexões-UEPG para o banco de sementes do projeto.

Fotos 05 – Estudante do curso de Tecnologia em Agroecologia e Propriedade com início de produção agroecológica. Fonte: Tomasi, 2018.
Já na Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos, a partir do meio dia, conforme Pereira (2018) realizou-se o almoço comunitário, ofertado pelos quilombolas com produtos locais, como o arroz, o feijão e o frango caipira. Após o término deste, efetivou-se a etnocaminhada, caminhada guiada pelo quilombola Sr. Alceu Carneiro, cujas práticas e atividades diárias demandam muito conhecimento da mata, demonstrada nesta ocasião.

Escolheu-se a mata próxima a estrada principal, onde todo o grupo pode adentrar e ter contato com os saberes vernaculares deste sujeito quilombola. Ele identificou espécies vegetais, seu uso doméstico e medicinal, como por exemplo o Cipó-mil-homens. Nesta ocasião observou-se ainda os remanescentes dos antigos caminhos presentes na mata.

Na comunidade quilombola a programação possibilitou a visita à propriedade do líder, Arildo Moraes de Portela, cuja implantação iniciou-se neste ano, alguns meses antes das primeiras atividades do Grupo de Pesquisa, desta forma acompanha-se a construção das benfeitorias e do sistema produtivo. Este mescla técnicas vinculadas aos saberes tradicionais e agroecológicos, visto que, adquiriu conhecimentos teóricos cursando um período do curso de Tecnologia em Agroecologia pelo IFPR. Na Comunidade adquiriu-se sementes crioulas e de adubo verde.

Do dia 21 a 23 de agosto de 2018, o evento seguiu com programação em Curitiba, na Casla, destacando então, a proposta da Unitinerante, e assim fez-se a presença dos sujeitos destas comunidades neste ambiente, além de lideranças de outros grupos étnicos. E também a participação de Pró-reitores de Universidades públicas, Secretário de Ciência e Tecnologia e Fundação Araucária do Paraná, Ministério Público do Paraná, Defensoria Pública Federal, Núcleo especializado da Infância e Juventude, Instituto Ambiental do Paraná, organizações e movimentos sociais.

Durante estes três dias segundo Stadler (2018) debateu-se os seguintes temas: Jornada Direitos Humanos e Migrações; Jornada Direitos Humanos; Violência e Situação Prisional: desafios para o Brasil e Argentina; Organizações Comunitárias: experiências de diálogo com poder público e academia; Saberes Geoecológicos Locais e Diversidade Socioterritorial: experiências acadêmicas nacionais. E ainda, nesta ocasião segundo Martins (2018) firmou-se parcerias em apoio ao projeto da Unitinerante, com diversas instituições e autoridades representativas.

Na Casla também pode-se realizar a “1ª Feira de Sabores e Sementes”, as sementes e produtos coletados nas comunidades, deram-se em períodos anteriores, durante as atividades de pesquisa do Grupo Interconexões-UEPG. Efetivou-se a comercialização da produção das três comunidades tradicionais ao qual o evento foi ambientado e de agricultores familiares da comunidade Sete Saltos de Cima, vizinha ao quilombo e faxinal que também são foco do projeto de pesquisa e extensão (Foto 06). 

Além deles comercializarem seus produtos diretamente ao consumidor, nesta ocasião os sujeitos comunitários oportunizaram a exposição de saberes-fazeres (Foto 07) através das oficinais de práticas culturais com a confecção da canjica com cinza no pilão (PEREIRA, 2018) e a confecção de cuia em porongo e a bomba de bambu, posteriormente, com o material pronto os participantes constituíram uma roda de chimarrão (MARTINS, 2018). 

Foto 06 - Banner com os representantes das comunidades na 1ª Feira de Sabores e Sementes. Fonte: Tomasi, 2018.
Dentro da metodologia das oficinas culturais Pereira (2018) enfatiza a importância deste saber-fazer tradicional fundamentada no argumento de Clarindo e Floriani (2014)[9], em que as comunidades constituem-se de territorialidades a partir da sua relação de ocupação coletiva e de subsistência com a terra, dos laços de parentesco e de compadresco, pela sua ancestralidade, pelas suas  tradições simbólico-culturais e pelos rituais e saberes vernaculares, como a reza cantada, as moradias de barro e cobertura de capim (casas de sapê), o uso do pilão, o conhecimento da flora e da fauna e a agricultura de subsistência.


Foto 07 - Sujeitos das comunidades tradicionais socando canjica na cinza. Fonte: Tomasi, 2018.
O evento no ambiente da Casla de acordo com Martins (2018) contou ainda com diversas apresentações de poesias do Grupo Rios Florestas e Violas do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento/UFPR. 

Assim como, a fala da sua presidente Drª. Gladys de Souza, que realizou um discurso sobre a Logomarca da UNITINERANTE. A vinculação a um trem sobre trilhos carrega o lema “Que nos Callen Los Trenes” para conceber a luta dos povos da América Latina como um convite a resistir.

O último ambiente do evento, no período de 24 a 26 de agosto de 2018, deu-se na Comunidade Caiçara de Guaraguaçu, em Pontal do Paraná. Na abertura do evento neste, teve-se a participação de representantes de instituições públicas, o Prefeito e o Presidente do Paraná Turismo, e, docentes, Prof. Dr. Antônio Haliski/IFPR-Litoral.  Ainda, de acordo com Martins (2018) durante a cerimônia ressalta-se a importância da reativação da associação local, já que por um período de dez anos esteve desativada.

Pelo Prof. Dr. Antônio, coordenador das atividades de pesquisa nesta comunidade, teve-se a apresentação do selo comunitário, por uma simbologia de autoindentificação caiçara. Esta vai de encontro a valorização de produtos locais como estratégia de fortalecimento e desenvolvimento comunitário. Portanto, a arte do selo, contempla importantes aspectos da cultura caiçara como: as plantas medicinais, antúrios e as cattleyas. Também a apresentação artística Fandango com o instrumento rabeca pelo Mestre Aoreleo Domingues.
Oficinas participativas foram ofertadas, como a de bambu artesanal - por Wilson Rubens/Instituto de Permacultura Ecovia São Miguel -, e a de fibras de bananeira (Foto 08). Ambas potencializaram o uso de materiais locais, e, a diversidade de adereços e peças que podem ser feitas com uma única matéria prima.



Fotos 08 e 09 – Oficina de bambu e Visita Guiada ao Sambaqui Guaraguaçu. Fonte: Tomasi, 2018.

Visitou-se segundo Martins (2018) a aldeia Guarani e ao sambaqui Guaraguçu (Foto 09), vizinhos a esta comunidade, uma visita guiada. Além da contemplação no sopé do sambaqui[10], pode-se observar o remanescente de um forno de cal, utilizado na década de 1960 para a extração de material dos sambaquis e fabricação de cal para a pavimentação de rodovias. Outra visita guiada deu-se pela caiçara Srª Tereza Sales Bitencourt, pela sua propriedade, as margens do rio Guaraguaçu. Sua fala expôs o resgate de memórias relacionadas as práticas do pai com as espécies de plantas nativas e seus benefícios medicinais. O encerramento do evento contemplou o café caiçara na casa da Srª Conceição Ramos Constante com o típico bolinho de banana.

Portanto, cabe ainda, o apontamento de Stadler (2018) que o mais importante destes dias de evento acadêmico-comunitário nas três comunidades tradicionais – Faxinal, Quilombo e Caiçara –, as vivências das práticas cotidianas e festivas em torno da religião, alimentação, economia, cultura em geral possibilitou a percepção de outros significados e abordagens para temáticas que perpassam, entrecruzam tais grupos étnicos paranaenses. E mais do que isso, conhecer os espaços pelos sujeitos sociais que de fato constroem suas espacialidades. 

O evento permitiu valorizar a prática de campo e a metodologia da observação-participante, da pesquisa-ação, tão enriquecedoras das pesquisas. De fato, a Universidade esteve no campo, os sujeitos pesquisadores e estudantes dialogaram com os sujeitos pesquisados e esta aproximação e nivelamento deixa o caminho aberto para outras ocasiões de trocas e saberes tradicionais e acadêmicos para problemáticas sociais que forem surgindo.

Toda a equipe do Grupo de Pesquisa Interconexões-UEPG agradece imensamente a recepção e participação dos sujeitos das comunidades paranaenses de Sete Saltos de Baixo (Ponta Grossa), Palmital dos Pretos (Campo Largo) e Guaraguaçu (Pontal do Paraná).







Por Tanize Tomasi Alves – Pós-Doutoranda-PPG/UEPG

Participação Fábio Martins, Cleusi Bobato Stadler e Renato Pereira





[.1] [1] Projeto Universidade Itinerante dos Direitos Humanos, da Natureza, pela Paz e Bem Viver da Casa Latino-Americana (Casla), uma proposta de atividades acadêmico-comunitária em rede, envolvendo universidades, organizações, movimentos sociais e instituições públicas. Para mais informações ver www.calsa.com.br.
[2] A rede internacional CASLA-CEPIAL (Semeando Novos Rumos – Sembrando Nuevos Senderos) surge a partir do III CEPIAL, em julho de 2012, na cidade de Curitiba, Paraná, Brasil, aproximando organizações sociais, instituições acadêmicas e outras instâncias do poder público, no âmbito de América Latina e Caribe – mas aberta também a outras regiões e continentes – e busca fortalecer o diálogo e ações conjuntas que visem o apoio ao desenvolvimento sustentável e à ampliação da participação democrática e da preservação dos direitos coletivos de sociedades e povos que vivem em situações de vulnerabilidade social (BLOG REDE CASLA-CEPIAL, 2018).
[3] Disciplina optativa ofertada sob coordenação do Prof. Dr. Nicolas Floriani e pelos Pós-Doutorandos Profª. Drª. Tanize Tomasi Alves e Prof. Dr. Antônio Márcio Haliski pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
[4]  GOFFMAN, Erving. Os quadros da experiência social: uma perspectiva de análise. Petrópolis: Vozes, 2012.
[5] THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez,1985.
[6] ALTIERI, Miguel Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4ed. Porto Alegre: UFRGS, 1998.

[7] Relatório de campo como requisito final para a obtenção da aprovação na disciplina de Saberes Geoecológicos Tradicionais e Diversidade Socioterritorial, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, sob a responsabilidade do Prof. Dr. Nicolas Floriani, Profª. Drª. Tanize Tomasi Alves e Prof. Dr. Antônio Márcio Haliski.

[8] O banco de sementes constitui-se em uma das etapas e resultados do Projeto de Pesquisa Territorialidades Tradicionais às “Territorializações da Agroecologia: Saberes, Práticas e Políticas de Natureza em Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná (Chamada Universal MCTI/CNPq nº 01/2016).
[9] CLARINDO, Maximillian Ferreira; FLORIANI, Nicolas. As particularidades da reprodução do patrimônio cultural da comunidade quilombola de Palmital dos Pretos, Campo Largo – PR.  Terr@Plural, Ponta Grossa, v.8, n.2, p. 423-443, jul/dez. 2014.
[10] Tais sítios podem se originar de diferentes formas/funções de ocupações, alguns concentram estígios de habitação e outros de cemitérios. A riqueza dos sambaquis no litoral do sul brasileiro apresenta uma ampla riqueza de vestígios histórico-culturais e somente no litoral paranaense possui 322 sítios catalogados cabendo ressaltar que as comunidades ajudam muito em sua preservação.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

RELATÓRIO DE CAMPO 06 - COMUNIDADE QUILOMBOLA PALMITAL DOS PRETOS E FAXINAL SETE SALTOS DE BAIXO - PR

Experienciamos de 15 a 22 de julho de 2018 um período de imersão à campo junto a dois grupos étnicos da região dos Campos Gerais Paranaenses, Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos e Faxinal Sete Saltos de Baixo, com fixação da base de pesquisa no barracão do salão comunitário desta última. Nossa equipe contou com a participação de Renato Pereira (Doutorando do PPGG/UEPG), Brenda Olinek (Graduanda em Biologia/UEPG), Cleusi Teresinha Bobato Stadler (Doutoranda do PPGG/UEPG) e Tanize Tomasi Alves (Pós-doutoranda do PPGG/UEPG) (Figura 01).


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Figura 01 - Equipe do Grupo de Pesquisas Interconexões - UEPG e Faxinalenses

Além do desenvolvimento de investigações que contemplaram a Meta 01 do projeto de extensão "Selo Socioambiental “Produtos Da Agrofloresta Faxinalense”: Capacitação Sociotécnica E Empoderamento Jurídico Para A Inclusão Social E Geração De Renda Em Comunidades Rurais Faxinalenses Do Paraná” e do projeto de pesquisa "DAS TERRITORIALIDADES TRADICIONAIS ÀS TERRITORIALIZAÇÕES DA AGROECOLOGIA", adotamos uma abordagem que nos aproximou das problemáticas individuais de investigação. 

Dividimos nossas práticas entre o Palmital dos Pretos e Sete Saltos de Baixo, viabilizando nossa participação conforme a demanda e disponibilidade dos sujeitos sociais. Por isso, apesar de ter um cronograma pré-estabelecido, seguimos a dinâmica cotidiana das comunidades. Optamos por sermos observadores-participantes, assim estivemos presentes na execução de distintas práticas e atividades cotidianas e ocasionais como: quebra de milho, coleta de capim estrepe para casa de sapé, manutenção dos vedos, limpeza da tubulação de água, colheita de hortaliças, entre outros (Figura 02 e 03).

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Figura 02 - Observação-participante na atividade de quebra de milho no Faxinal - 
parte da equipe do Grupo de Pesquisa Interconexões/UEPG e Faxinalenses

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Figura 03 - Observação-participante na atividade de coleta que capim estrepe - 
parte da equipe do Grupo de Pesquisa Interconexões/UEPG e Quilombolas


Também foi um momento de divulgarmos nossos projetos e o evento II° ENCONTRO ACADÊMICO-COMUNITÁRIO DA UNITINERANTE: "SABERES GEOCOLÓGICOS TRADICIONAIS E DIVERSIDADE SOCIOTERRITORIAL", que ocorrerá do dia 17 a 26 de agosto de 2018 em Ponta Grossa-Curitiba-Pontal do Paraná, panfletando em ambas as comunidades (Figura 04). Dúvidas puderam ser sanadas nesta ocasião. 

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Figura 04 - Panfletagem com os moradores das comunidades

Foram dias de muito aprendizado e interações, os moradores de ambas as comunidades nos oportunizaram momentos únicos e de intensa imersão no cotidiano de suas famílias. Agradecemos a Proex-UEPG pelo suporte para desenvolvermos nossas pesquisas e as comunidades pela possibilidade de estarmos dialogando continuamente com eles. 

Tanize Tomasi Alves

quinta-feira, 5 de julho de 2018

RELATÓRIO DE CAMPO 05 - COMUNIDADE QUILOMBOLA PALMITAL DOS PRETOS


RELATÓRIO DE CAMPO 05 - COMUNIDADE QUILOMBOLA PALMITAL DOS PRETOS


Em um trabalho de parceria estivemos nos dias 01, 02 e 03 de julho de 2018 em imersão na Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos, em Campo Largo-PR. Trabalhamos em duas frentes de investigação, a problemática da tese do doutorando Renato Pereira, sob co-orientação da Dra. Tanize Tomasi Alves (PPGEO-UEPG), e o do projeto de Pós-doutoramento da mesma (FOTO 01). Enquanto a tese busca discutir a certificação dos produtos da agrofloresta (agroecossistema tradicional) para as comunidades quilombolas e faxinalenses, o, projeto de pós-doutorado fundamenta-se em uma abordagem da (bio)regionalização diante das práticas, culturas, saberes e relações sociais.

Foto 01 - Equipe presente em campo do Grupo de Pesquisa Interconexões-UEPG realizando Etnocaminhada com o líder quilombola Arildo Portela de Morais.

O momento de imersão possibilitou que desenvolvêssemos distintas atividades, e, ainda acompanhássemos distintas práticas e afazeres cotidianos. Enquanto equipe buscamos expandir nossa compreensão sobre a região em que as comunidades estão inseridas e abranger o levantamento de informações sobre os sujeitos quilombolas e atores circunvizinhos.
Diante disso realizamos as seguintes atividades: Turnê guiada pelo líder quilombola Arildo Portela de Morais pela região, destacando nesta, os atores e lugares-chave; acompanhamento de atividade em parceria com vizinhos em uma área limitante a comunidade quilombola (FOTO 02); Visita às áreas antes ocupadas pelos moradores quilombolas; Visitas a casa de moradores não-quilombolas que estão inseridos na comunidade; Observação-participante em atividades cotidianas e culturais; Almoço na casa de uma família quilombola; (Re)visita a moradores quilombolas; Bate-papo informal com quilombolas e não-quilombolas nos trajetos de deslocamento na comunidade; Jantar com quilombolas e conversa informal na Cozinha Comunitária; Etnocaminhada pela floresta de araucária de um dos moradores (FOTO 01).

Foto 02 - Acompanhamento da equipe do Grupo de pesquisa Interconexões-UEPG durante a visita a propriedade vizinha.

Agradecemos a abertura dos sujeitos quilombolas do Palmital dos Pretos, em especial a liderança que tem nos proporcionado momentos de grande diálogo e inserção no cotidiano da comunidade.

Tanize Tomasi Alves

quarta-feira, 20 de junho de 2018

RELATÓRIO DE CAMPO 04 – COMUNIDADES PALMITAL DOS PRETOS E FAXINAL SETE SALTOS DE BAIXO


Nos dias 16 a 18 de junho de 2018, cinco integrantes da equipe do Grupo Interconexões-UEPG deslocaram-se até o município de Campo Largo e Ponta Grossa-PR, para mais um momento de imersão e observação-participante junto aos sujeitos quilombolas e faxinalenses, respectivamente da Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos e Faxinal Sete Saltos de Baixo. Trabalhou-se em duas frentes de pesquisa, uma com atividades no quilombo e faxinal, enquanto a outra centralizou suas pesquisas no quilombo (Figura 01). 
Figura 01 – Esquerda: Membros do Grupo Interconexões-UEPG/Direita: Banco de Sementes.

Contamos com parte da equipe multidisciplinar - Tanize Tomasi Alves (Geógrafa e Pós-Doutoranda do PPG), Lorena Abrami Dantas (Assistente Social), Renato Pereira (Geógrafo e Doutorando em Geografia), Cleusi Teresinha Bobato Stadler (Historiadora e Doutoranda em Geografia) e Vanderlei Marinheski (Geógrafo e Doutorando em Geografia) -, para atuar conforme as potencialidades e as afinidades investigativas de cada um e dentro da problemática proposta pelos projetos de pesquisa e extensão: “Das Territorialidades Tradicionais às Territorializações da Agroecologia: Saberes, Práticas e Políticas de Natureza em Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná”, e, “Sistema Participativo de Certificação Socioambiental da Agrofloresta Faxinalense: Da Diferenciação à Qualificação dos Produtos de Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná”.
Deste modo, retomamos as pendências dos proponentes inclusos na Meta 01 (Figura 02) finalizando assim o Diagnóstico Rural Participativo e o Levantamento Etnoecológico de saberes tradicionais.

Figura 02 – Meta 01 dos Projetos de Pesquisa e Extensão de atuação do Grupo de Pesquisas Interconexões – UEPG

A ida às comunidades também proporcionou que debatêssemos com os sujeitos quilombolas e faxinalenses sobre a Disciplina ¨Saberes Geoecológicos Tradicionais e Diversidade Socioterritorial¨, sob a responsabilidade do Prof. Dr. Nicolas Floriani, do Programa de Pós-graduação em Geografia da UEPG, que ocorrerá no final de agosto deste ano, tendo como protagonistas sujeitos acadêmicos e sujeitos locais, na promoção de um diálogo de saberes científicos e vernaculares. Com espaços para a valorização de práticas e atividades culturais, exposição de produtos, saberes e sabores dos agroecossitemas tradicionais que possam projetar aos acadêmicos a interação face a face e uma observação-participante no cotidiano das comunidades. Para tanto, estimulou-se a organização destes momentos práticos da disciplina com a ajuda, colaboração e sugestão dos sujeitos locais.
Aos quilombolas de Palmital dos Pretos e faxinalenses de Sete Saltos de Baixo destaca-se a flexibilidade com que se adequam as necessidades e demandas dos projetos, da disciplina e das investigações acadêmicas de cada integrante da equipe. Também a abertura para o diálogo contínuo e recebimento em suas casas, propriedades, e, mais do que isso o compartilhamento de histórias de vida, do dia a dia e de suas resistências. Uma interação de mão dupla, onde a disposição de ir e vir tanto dos acadêmicos, quanto dos sujeitos locais possibilita muitos momentos e muitas formas de levantar informações e entender as distintas realidades e  dinâmicas destas comunidades tradicionais paranaenses.
Gratidão!
Tanize Tomasi Alves


quinta-feira, 17 de maio de 2018

RELATÓRIO DE CAMPO 03 – COMUNIDADE QUILOMBOLA PALMITAL DOS PRETOS


RELATÓRIO DE CAMPO 03 – COMUNIDADE QUILOMBOLA PALMITAL DOS PRETOS



Entre os dias 12 a 14 de maio de 2018 a equipe do grupo Interconexões-UEPG aproximou-se da vivência cotidiana dos quilombolas do Palmital dos Pretos (Campo Largo-PR) e Faxinal Sete Saltos de Baixo (Ponta Grossa-PR) adotando a metodologia de imersão a campo. A equipe dividiu-se em dois grupos para o levantamento das informações, à equipe quilombola integrou: Tanize Tomasi Alves (Pós-Doutoramento), Lorena Abrami Dantas (Assistente Social) e Brenda Olinke (Graduanda em Biologia), e, em alguns momentos por todos os integrantes. Já à equipe faxinalense integraram: Renato Pereira (Doutorando em Geografia), Cleusi (Doutoranda em Geografia), Vanderlei (Doutorando em Geografia) e Juliana (Graduanda em Biologia). A grande maioria dos integrantes de ambas as equipes pernoitaram nas comunidades (Foto 01).
Foto 01 – Equipe Grupo Interconexões UEPG e Quilombolas do Palmital na sede da cozinha comunitária

No faxinal Sete Saltos de Baixo foi possível confrontar distintas gerações em abordagens sobre os saberes e práticas produtivas tanto disseminadas sobre as terras do criadouro comunitário, quanto nas terras de plantar, propriedades individuais. Entre homens e mulheres faxinalenses, diálogos complementando o agroecossistema produtivo cotidiano, sob a floresta de Araucária.
Já o contato contínuo com os sujeitos quilombolas possibilitou-nos uma intensidade de encontros face a face em que pudemos imergir em suas práticas, saberes, atividades e rotinas cotidianas, assim como, também fomos agraciados com a visitas ocasionais destes em distintos momentos no decorrer dos dias. Muitos já eram nossos conhecidos, outros viam até nós para se apresentarem e saber mais sobre os projetos de pesquisa - “Das Territorialidades Tradicionais às Territorializações da Agroecologia: Saberes, Práticas e Políticas de Natureza em Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná”, e, “Sistema Participativo de Certificação Socioambiental da Agrofloresta Faxinalense: Da Diferenciação à Qualificação dos Produtos de Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná” -, em que a comunidade está integrada.
Desenvolvemos muitas atividades com os quilombolas, desde almoços, jantares, café da manhã e da tarde, de forma coletiva e participativa na cozinha comunitária. Nestas ocasiões desfrutávamos da companhia e da troca de experiências nas práticas culinárias e manipulação de alimentos. O compartilhamento das refeições, trouxe novos sabores, saberes e produtos locais, conversas informais, com uma riqueza de detalhes, sentimentos e emoções. O diálogo de confiança e respeito estabelecido pelos pesquisadores e comunidade prevaleceu em todos os momentos em que estivemos trocando saberes acadêmicos e vernaculares.
O líder quilombola Arildo Portela de Moraes com toda sua dedicação nos acompanhou em todos os momentos e em todas as atividades. Seu conhecimento e sua ponte de comunicação estabelecida com os moradores quilombolas nos privilegiou de ter livre acesso aos sujeitos e suas propriedades. Reconhecer os pontos limitantes do território, os pontos identitário-simbólicos, participar de momentos importantes, como a construção da casa de adobe e sapê em sua propriedade. Uma área que vem ganhando forma com o entrelaçamento de técnicas sustentáveis da agroecologia e da cultura quilombola. Arregaçamos nossas calças e de pés descalços sobre o solo sagrado dos ancestrais com toda a fluidez dos sentimentos pisoteamos a terra que foi ganhando forma homogênea e nas mãos e comando do Arildo e de todos os integrantes da equipe foi sendo moldada as paredes da casa, o centro do agroecossistema (Foto 02).
Foto 02 – Atividade da Bio-construção na propriedade de Arildo
A musicalidade da geração mais jovem de quilombolas nos saudou na primeira noite no Palmital. Sob um céu estrelado e o frio recém-chegado ao redor da fogueira sentamos e juntos misturamos nossas vozes em cantigas atuais e recordadas pelas distintas gerações sentadas sob a mesma roda de conversa. Instrumentos como flauta, violão, tambor e pandeiro trouxe o encaixe para as vozes animadas e abertas a dialogar no mesmo tom e sonoridade.
Percorremos mais do que o território e propriedades, mas os sonhos, a esperança e fé de permanecer no lugar que os ancestrais demarcaram através do suor da labuta, da resistência, que ainda reverbera dos descendentes. As histórias de um povo espacializado sob os quatro quantos daquele vale, entre as duas serras. Na companhia das araucárias e dos cedros que fazem do Palmital há muito sua morada, os novos cultivos alimentares, intercalados com essa floresta exuberante e centenária destacam-se em diversidade e qualidade, seja das sementes ou dos saberes e práticas das mãos negras revirando o chão.
Nos três dias fomos surpreendidos pelos fortes laços de vizinhança, parentesco e afinidade que pulsa do cotidiano entre os quilombolas do Palmital, entrelaçando-se aos seus modos de vida e a organização dos seus sistemas produtivos tradicionais.
Agradecemos aos sujeitos quilombolas e faxinalenses pela disponibilidade e dedicação para dialogar com a equipe Interconexões/UEPG.
Tanize Tomasi Alves

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Ontem comemorou-se o dia da terra, e eu que há dez anos convivo de perto com os sujeitos quilombolas, tendo a honra de enriquecer minhas pesquisas com seus saberes tradicionais, seus modos de vida integrados com a natureza geração após geração. Vendo a terra como solo fértil de gentes e de vida, minha singela homenagem, como inspiração a trajetória e a poética que pulsa nas palavras da quilombola Dona Elenita, nossa parceria de pesquisas e conhecimentos em uma bela tarde de imersão à campo na Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos, em Campo Largo-PR, o olhar em aproximação a estes sujeitos que realmente estão enraizados as suas terras ancestrais, berço de culturas, de saberes, de modos de vida alternativos, minha eterna gratidão por deixar a academia se engrandecer do seu cotidiano, das práticas e jeitos temporalizados por tanta sabedoria. 


Mapeando sentimentos 


Aquela mulher negra de rosto expressivo, envelhecido transmutou o tempo, suas batalhas, travadas
Seu olhar amendoado, espacializado sobre àquelas terras ancestrais
Traz na voz embargada a resistência do seu povo, quilombolas do Palmital.



Andando pelo seu chão 
Lugarizando cada pensamento 
A trajetória do seu pertencimento 
Pelas digitais riscadas 
Agarradas a cada punhado de solo sagrado
Cultivado, 
Sementes, saberes e sabores da sua tradição 
Os pretos do pilão, monjolo e casa de taipa 
Trazem na face o suor da luta,
Labuta geração após geração.



A mulher forte que pisa firme 
Cabeça erguida 
Altiva aos encantos da vida
Seus erveiros, a cancha de malha feijão 
Os pinheiros nativos, os remanescentes mapeando os sentidos e sentimentos do seu coração 
Aquele que pulsa
Pelas gentes, pela natureza 
O belo encontro com o seu passado-presente
Aqui mesmo onde se viu nascer 
Autoreconhecer etnia 
Dos afrodescendentes
Movimento, emancipação dos esquecidos 
Da Serra das almas
O grito fortalecido 
Do grupo pés e mãos enraizados no chão paranaense.




(Tanize Tomasi Alves, 22 de abril de 2018).